Tanta gente. Tanta coisa. Tanto tempo. Já tinha passado pela gente. E tinha que voltar. Eu tinha que ajudar a te fazer voltar. Chorar. Relembrar. Lembrar. Sentir que nada mudou, mas tudo mudou. Ou ainda, eu que esqueci de deixar tu ir de fato. Antes, não te via em lugar nenhum. Agora, caso eu olhe para o lado, tu provavelmente estará passando. Rindo ou com aquela cara que tu faz pra tirar foto. Um semi biquinho. É o teu costume, o meu é não conseguir abrir mão - de algo que não é meu - enquanto não surgir alguém para ocupar a vaga que no momento é tua. E que pode deixar de ser a qualquer instante, do mesmo jeito que ocorreu quando nos encontramos, que aliás e ironicamente, mal sabemos como. A minha vodka com energético, e a tua cerveja devem explicar.
Tu, que se auto define como louco, cafajeste e não vê a real: isso é, na verdade, o que tu queria ser. Com essa pose de sou o cara e com atitude de sou o cara infantil bem resolvido que não sente falta de ninguém, não sente nada por ninguém. E eu choro, como se acreditasse no que tu diz ser. Choro porque, me acostumei com uma pessoa que além de não ter nada a ver comigo, não se acostumou comigo. Choro ainda, porque me importo, porque me atinge, porque bebo e digo o que não falo em sã consciência. E não é no teu ombro que isso vai ter fim, como não teve. Não é falando sobre, pensando sobre. Mas que seja, escrevendo sobre. Seja. Outra pessoa, outro lugar, outro momento. E que, sobretudo, tu seja, um dia, alguém que eu lembre como mais um que, ops, passou na minha vida mas não ficou.